A saúde bucal do idoso no Brasil
A saúde bucal, parte integrante e inseparável da saúde geral dos indivíduos, tem sido relegada ao completo esquecimento, no caso brasileiro, quando se discutem as condições de saúde da população idosa. Percebe-se que a perda total dos dentes é aceita pela sociedade como algo normal e natural com o avanço da idade, o que evidentemente é falso. Os serviços odontológicos públicos possuem extrema limitação de atendimento para crianças e gestantes, cabendo a organizações não governamentais (ONGs) como a Fundação Abrinq, o Instituto Ayrton Senna e Cirurgiões-Dentistas voluntários preencher esta deficiência. No que se refere a adultos, os serviços públicos limitam-se a práticas mutiladoras e para a terceira idade são praticamente inexistentes em nosso pais.
Um dos estudos mais recentes realizados no Brasil, sobre a saúde bucal dos idosos (PUCCA JR. 1998) constatou que: o fato de ser mulher aumenta em 65% a chance de perda de dentes se comparado aos homens; a cada ano de idade, após os 65 anos o acréscimo da chance de não ter dentes é da ordem de 5%; a cada 200 reais a mais na renda, a chance de não ter dentes sofre uma redução de 7,6%; as doenças crônicas como, o diabetes não se mostraram associadas à perda dos dentes; na primeira avaliação da pesquisa 54,9% dos idosos apresentaram falta total de dentes e 86,3% usavam próteses, na segunda avaliação a prevalência de falta de dentes foi de 56% e de uso de prótese foi de 84,8%. Estes resultados indicam um quadro bastante preocupante e que nos colocam algumas perguntas que precisam ser respondidas: porque a falta de dentes entre as mulheres mostrou-se superior, sendo que pode-se admitir que as mesmas tem mais acesso aos serviços de saúde bucal do que os homens; por outro lado o estudo parece indicar que o quadro de falta de dentes na terceira idade no Brasil não se explica pelo aumento da prevalência das doenças crônico degenerativas (ex. Diabetes Mellitus) e parece sim ser mais conseqüência do quadro sócio-econômico do que biológico dos idosos.
Frente a esse quadro, onde temos um aumento demográfico deste seguimento da população e um relativo vazio de pesquisas e estudos específicos, nossos governantes deveriam eleger prioridades que orientassem uma reestruturação do sistema odontológico público com uma mudança de atitude frente aos problemas de saúde bucal que, em última instância, resultam nestas precárias condições entre as crianças e os idosos.
Escrito Tuesday, 27 January 2009 na categoria Matérias, Preocupação com o Social.






