Aprenda a usar seu sorriso e melhore seus relacionamentos

São sete da manhã e Maria adoraria poder dormir mais. Ela, porém ouve Pedro, seu filho de cinco meses, acordando no quarto ao lado. “Eu mal consigo me arrastar para fora da cama”, diz Maria, que, com uma criança de colo e outra de dois anos, está sempre exausta. ”Mas, quando olho para o berço e ele sorri para mim aquilo me enche de alegria-
então tudo fica bem.”
Tal é o poder de um simples sorriso. Na verdade, pesquisas feitas nas duas últimas décadas têm provado cientificamente o que ditados e letras de canções populares já dizem há muito tempo:
“ SORRIA E O MUNDO SORRI DE VOLTA PARA VOCÊ .”
“O sorriso é fundamental para nossa evolução e é uma das mais poderosas ferramentas do comportamento humano”, diz Dacher Keltner, professor de Psicologia da Universidade da Califórnia, que estuda a importância da expressão facial – incluindo a variedade e o impacto dos sorrisos.
Qualquer pessoa que já viu um bebê sorrindo sabe como o riso espontâneo ajuda a criar afinidade, estreita laços sociais e libera no cérebro substâncias químicas que produzem uma sensação de bem-estar.
Quando sai do mercado com o radiante Pedro, Maria ouve exclamações à sua volta: é o bebê que se utiliza de seu recém-descoberto poder de sorrir para fazer brotar sorrisos nos outros.
Especialistas em desenvolvimento infantil chamam este intercâmbio positivo entre a criança e o adulto de “dança inter-relacional”, algo que surge quando o cérebro do bebê desenvolve funções mais complexas.
“A troca ritmada e sincronizada de sorrisos entre a mãe e o bebê é importante para o desenvolvimento do vínculo afetivo e da capacidade intelectual”, diz Ulrich Mueller, professor de Psicologia especialista em desenvolvimento infantil da Universidade de
Victoria, Canada. Segundo Mueller, estudos comprovam que se o pai ou a mãe respondem ao sorriso do filho de forma inexpressiva a criança fica desapontada. “Isso mostra como o sorriso dos pais é importante para a criança”, diz ele, completando que filhos de mães deprimidas demonstram menos sinais de felicidade e sorriem com menor freqüência do que filhos de mulheres sem depressão.
Em 1872, em seu livro A expressão das emoções no homem e nos animais, Charles Darwin afirmou que expressões faciais são biologicamente fundamentadas e universais entre os humanos e, portanto, fornecendo vantagem evolucional como a criação de laços afetivos, aperfeiçoando a cooperação e ajudando a aumentar a chance de sobrevivência da espécie. Mas a celebrada antropóloga Margaret Mead discordava, acreditando que o sorriso era um comportamento que variava de acordo com a sociedade. Foi apenas na década de 1960 que um psicólogo de São Francisco, Paul Ekman, decidiu acabar com a discussão. Ele viajou pelo mundo mostrando fotografias de expressões faciais a pessoas de diferentes culturas e concluiu que, mesmo na remota selva de Papua Nova Guiné, expressões como um sorriso de alegria tem o mesmo significado emocional.
Ekman e seu colega Wallace Friensen, passaram 8 anos criando um modo confiável de descrever e simular movimentos da face para que os pesquisadores pudessem estudar de maneira científica as expressões faciais e as emoções. Eles categorizam 43 diferentes movimentos musculares do rosto e suas mais de 3 mil combinações, chamando o resultado deste estudo de Sistema de Codificação da Atividade Facial( FACS, na sigla em inglês). “O FACS revolucionou o estudo das expressões faciais e das emoções humanas”, diz Keltner, que fez seu trabalho de pós-graduação no laboratório de Ekman. “Ele deu aos pesquisadores uma linguagem objetiva para explicar como as emoções são expressas
em nossa face e no nosso sistema nervoso.” Hoje, tendo como base o FACS, dezoito tipos de sorriso foram identificados, entre eles o sorriso tímido, o envergonhado, o sarcástico e o amoroso.
Mas os dois tipos que chamaram mais atenção nas pesquisas são o de felicidade espontânea e o falso sorriso. O primeiro, também chamado de sorriso Duchenne, pois leva o nome do neurologista francês do século 19 que primeiro o descreveu, envolve 2
grupos musculares. O primeiro estica os cantos da boca levantando as bochechas, e o segundo produz as rugas ao redor dos olhos. Cientistas descobriram que o genuíno sorriso Duchenne é sinal de felicidade real.
O falso sorriso- também chamado de “sorriso de aeromoça “- utiliza apenas o primeiro grupo de músculos e, em geral, é usado como forma de cortesia.
Em um de seus estudos mais famosos Keltner e sua colega LeeAnne Harker codificaram os sorrisos de 114 mulheres que posaram para fotos de álbum de fim de ano de todas as faculdades de 1958 e 1960.
Todas, com exceção de 3, sorriram, mas 61 deram o fingido sorriso de cortesia de cortesia e apenas 50 o sorriso Duchenne. O estudo de Keltner concluiu, após 30 anos de acompanhamento, que as mulheres de sorriso Duchenne tiveram porcentagem maior de casamentos bem-sucedidos e obtiveram resultados melhores em testes de bem-estar físico e emocional.
Outros estudos feitos por Keltner concluíram que pessoas que usam o sorriso espontâneo e real são mais preparadas para lidar com traumas como a morte do cônjuge e que casais que exibem sorrisos amorosos quando falam um do outro liberam no sangue a oxitocina, o chamado “hormônio do amor“, associado à criação de vínculos e à reprodução.
Keltner reparou que, enquanto certas pessoas já nascem com o tipo de temperamento que as leva ao sucesso, outras podem se tornar mais felizes se forem ensinadas a cultivar um sorriso genuíno. “Na literatura da felicidade“, diz Keltner, “O maior gerador de alegria é a afeição pelos outros. Ensinar a sorrir é fundamental porque nos ajuda a nos afeiçoarmos.“
Sorrir não só ajuda a fazer amigos como também estimula a química cerebral que nos faz sentir melhor.
Ekman e o neurologista Richard Davidson, da Universidade Wisconsin, usaram tomografias computadorizadas para mostrar que o sorriso Duchenne ativa algumas partes do cérebro associadas ao prazer e à felicidade, mesmo que não ative todas as áreas associadas a essas emoções. Eles descobriram que se a pessoa aprender a ativar
músculo do sorriso Duchenne, ainda que artificialmente, ela pode produzir a mesma atividade cerebral.
Como sorrir é tão importante para felicidade e as ligações sociais, a impossibilidade de sorrir deve Duas vezes em sua vida adulta, Ross ser devastadora.
Maine, gerente de uma pousada em Victoria, no Canada, teve metade do rosto imobilizado pela paralisia de Bell, doença que causa inflamação no
sétimo par de nervos cranianos, provavelmente por causa de uma infecção viral. “Eu só podia sorrir com metade do rosto, e o resultado era uma careta“, diz Ross, um homem extrovertido que se tornou tímido e fechado. “Você não se dá conta de como sorrir é
essencial até não conseguir mais fazê-lo.”
Ross teve sorte. Nas 2 vezes, ele recuperou a capacidade de sorrir em 3 ou 4 semanas. Mais cerca de 15 das pessoas com paralisia de Bell nunca recuperam completamente esta capacidade. Outras perdem o sorriso por causa de um câncer, um AVC ou um acidente.
“Meus pacientes me ensinaram o valor do sorrido”, diz o Dr. Rauph Manktelow, Cirurgião Plástico do Hospital Geral de Toronto. “O sorriso é parte poderosa da capacidade de conversação. Se você não consegue sorrir sua capacidade de passar
informações e se relacionar com outras pessoas fica limitada.”
Manktelow e o Cirurgião Pediátrico Ronal Zuker, do Hospital para Crianças Doentes, são chefes da Equipe de Paralisia Facial de Toronto, especializada na reconstrução de sorrisos perdidos ou paralisados. Cerce de 150 pacientes por ano, um terço crianças, vêm do mundo todo para ser operados por eles. Desses pacientes 40 são elegíveis para passar por um
procedimento de microcirurgia que consiste em transplantar um pedaço de músculo da perna para o rosto.
Os Cirurgiões ligam um nervo ao músculo, a fim de que ele se contraia e faça o movimento do riso.
Esse nervo vem do nervo facial do lado oposto do rosto, ou do nervo que controla a mordida. Depois de até um ano, o paciente desenvolve a capacidade de sorrir. “ O sorriso é tão importante que parece que o cérebro aprende a dominar o movimento dos
músculos, e o centro do riso assume o controle para criar o sorriso espontâneo”. Diz Manktelow. Para nós do Instituto Smile, uma das maiores recompensas é receber cartas de agradecimentos com fotografias ou mesmo depoimentos pessoais após um tratamento realizado e tendo no rosto um largo sorriso”.
Venha, junte-se a nós!
Dr. João Pedro Aloise
Diretor Clínico do
Instituto Smile.







