Tratamento Odontológico a Gestantes
Recomendações a Pacientes e Cirurgiões-Dentistas
As seções de atendimento clínico devem ser curtas e agendadas preferencialmente para a segunda metade do período da manhã, quando os sintomas de enjôo são menos frequentes. Outra preocupação seria marcar consultas para as gestantes em horários diferentes das crianças que freqüentam o consultório, prevenindo o possível contágio das doenças virais da infância (rubéola, sarampo, catapora, etc.). Neste mesmo sentido deve-se evitar o agendamento de consultas a gestantes quando o dentista ou auxiliar estiverem acometidos de gripes ou resfriados.
A quantidade máxima de anestésico injetado não deve ultrapassar dois tubetes de uma solução de lidocaína a 2% por consulta e sempre aplicado lentamente, tendo-se certeza da sua aplicação extra-vascular, evitando assim o risco de reações adversas e toxicidade para a mãe e o feto (ROOD, 1981). A base anestésica da lidocaína 2% é efetivamente a mais segura das drogas anestésicas locais (HAAS, 2002).
Embora os vasoconstritores tenham um potencial para comprometer o fluxo de sangue uterino, estudos não demonstram efeitos fetais adversos. Além disso, as doses de epinefrina usadas em fórmulas de anestésicos locais são tão baixas que é improvável afetar o fluxo de sangue uterino. Os vasoconstritores impedem a absorção sistêmica e assim reduzem os efeitos tóxicos dos anestésicos locais. A sua presença também prolonga a duração da anestesia local. Portanto, o uso de epinefrina ou levonordefrina nas concentrações encontradas em tubetes anestésicos está justificada (HAAS, 2002).
Os anestésicos locais considerados não seguros na gravidez são a Prilocaína e a Mepivacaína. Estas drogas não são a melhor escolha durante a gravidez, pois são rapidamente absorvidas e normalmente são providos de uma solução mais concentrada, somando assim o seu potencial tóxico. A administração de Prilocaína no período próximo ao termo da gestação, potencialmente acarreta cianose por metemoglobinemia em recém-nascidos, nos quais já existe um impedimento no transporte de oxigênio (FERREIRA, 1998).
O agente vasoconstritor Felipressina (Octapressin), derivado da Vasopressina, possui uma semelhança estrutural à Ocitocina, podendo levar à contração uterina, embora a dose necessária para que isso ocorra seja várias vezes maior que a utilizada em odontologia, sendo preferível evitar as soluções anestésicas que contém esse tipo de vasoconstritor durante a gestação (ANDRADE, 1998).
No tratamento odontológico a gestante é vista como uma paciente que requer cuidados especiais, mais poderemos fazer uso do anestésico local desde que seja respeitada a época de atendimento (evitar o 1° e o último trimestre de gravidez), técnica de anestesia correta, horários e duração das consultas e a utilização de doses mínimas de anestésicos. Assim o procedimento odontológico poderá ser efetuado de forma eficiente e segura tanto para a mãe quanto para o feto.
Em condições clínicas críticas um atendimento multiprofissional entre Cirurgião-Dentista, Ginecologista e o Cardiologista é o mais recomendado.
Referências
ANDRADE E.D. Terapêutica Medicamentosa em Odontologia. São Paulo: Artes
Médicas, 1998, p. 93-140.
FERREIRA MBC. Anestésicos locais. In: Fuchs FD, Wannmacher L (eds).
Farmacologia clínica. Fundamentos da terapêutica nacional. Rio de Janeiro,
Guanabara Koogan, 1998. p.15-64.
HAAS DA. Drugs in dentistry. In: Compendium of pharmaceuticals and
specialthes (CPS). 37th ed. Canadian Pharmaceutical Association; 2002. p. L26-
L29.
ROOD, J.P. Local analgesia during pregnancy. Dent. Update, v. 8, 1981, p. 483-5.
Escrito Monday, 11 April 2011 na categoria Destaques.






